Há 40 anos foi assassinado em Imperatriz, MA, padre Josimo
Moraes Tavares.
10 Maio de 1986
Acalente livre os seus sonhos que são os sonhos deste povo
Recorte, com ternura e faca aguda, as estrelas e abra o
peito.
Mergulhe nos igarapés cristalinos,
Atravesse as matas espessas de babaçus,
os campos e os descampados.
Venha na primavera, colhendo as flores e as traga
Declame o último poema que você fez:
cante o verso ainda não cantado.
Venha. Venha!
Raimunda. Bertoldo, Nicole, Nicola, José,
Carlinhos, Domingos, Lourdinha, Goreth, Mada e Bia,
todos o aguardam...
Dona Olinda secou as lágrimas na ponta do avental.
O vento balançou as bandeirolas,
o sanfoneiro já arrancou as primeiras notas,
os violões foram afinados,
as quebradeiras de coco ajuntaram os balaios,
os lavradores guardaram as ferramentas.
Todos se banharam nus na fonte,
as moças se pintaram com gosto
e se vestiram domingueiramente.
A capela está cheia.
As crianças estão mudas. Esperam por você.
Sobre o altar há um pires com terra e um copo d´água,
o cálice com o vinho tinto, de sangue;
o pão partido, repartido do corpo,
na aliança hoje permanente, construída em tempos de dor.
Olhe Josim, estas mãos que o abraçam;
estes olhos que o fitam.
A festa começa hoje e você vem assim, banhado e purificado,
no sangue do Cordeiro,
rindo, faceiro, feliz porque acordou os sonhos.



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